Como Avaliar um Investimento Imobiliário: Valor, Rentabilidade e Risco Explicados

Preço não é valor
Rendimento não é rentabilidade
Retorno não deve ser analisado sem o risco

 

 

 

Nos mercados financeiros existe um princípio amplamente aceite, que não existe retorno sem risco, mas no setor imobiliário, este princípio continua muitas vezes a ser ignorado.

É frequente encontrar investidores que analisam um ativo imobiliário quase exclusivamente pelo preço de aquisição ou pela rentabilidade aparente, sendo que outros concentram-se apenas na localização ou na expectativa de valorização futura. Embora estes fatores sejam relevantes, nenhum deles é suficiente para determinar se um investimento é efetivamente bom. Uma decisão de investimento deve resultar da análise integrada do valor, do retorno e do risco.

 

 

Preço não é valor

Uma das confusões mais frequentes consiste em assumir que o preço pedido corresponde ao valor do imóvel.

Na realidade, o preço representa apenas o montante pretendido por um vendedor ou acordado entre duas partes num determinado momento. O valor de mercado resulta de um conceito económico muito mais amplo e pressupõe uma transação entre partes conhecedoras, prudentes, independentes e sem qualquer pressão para comprar ou vender. Dois imóveis com preços idênticos podem apresentar valores de mercado significativamente diferentes, dependendo de fatores como:

 

  • potencial de utilização ou conversão;
  • qualidade construtiva;
  • estado de conservação;
  • liquidez;
  • enquadramento urbanístico;
  • riscos legais e ambientais;
  • capacidade atual ou futura de gerar rendimento.

 

É precisamente por esta razão que a avaliação imobiliária existe, que consiste em transformar informação e dados dispersos numa estimativa objetiva de valor.

 

 

Rendimento não é rentabilidade

Outra armadilha frequente consiste em avaliar um investimento apenas pela yield inicial, pois um rendimento elevado não significa maior rentabilidade.

Imagine dois imóveis. O primeiro apresenta uma rentabilidade de 8% e o segundo apresenta uma rentabilidade de 6%. À primeira vista, o primeiro parece claramente superior.

Contudo, essa conclusão pode revelar-se totalmente errada.

Importa perceber:

 

  • qual a qualidade dos inquilinos;
  • qual a duração dos contratos;
  • quais os custos futuros de manutenção;
  • qual a necessidade de investimento adicional;
  • qual o risco de vacância;
  • qual a liquidez do ativo.

 

Uma rentabilidade superior pode simplesmente constituir uma compensação por um risco significativamente mais elevado. É exatamente o mesmo princípio que se verifica nos mercados obrigacionistas e financeiros, quanto maior o risco, maior tende a ser o retorno exigido pelos investidores.

 

 

Retorno não deve ser analisado sem o risco

O risco é frequentemente o fator mais subestimado, na avaliação de investimentos imobiliários, o risco manifesta-se de diversas formas e nem sempre é visível.

Pode estar relacionado com:

 

  • alterações legislativas e ambientais;
  • licenciamento urbanístico;
  • execução da construção;
  • evolução das taxas de juro;
  • aumento dos custos de construção;
  • procura futura;
  • concentração de inquilinos;
  • obsolescência funcional;
  • alterações demográficas;
  • Tramite e burocracia;
  • liquidez do mercado.

 

Todos estes fatores influenciam diretamente o valor do ativo imobiliário, sendo que ao Ignorá-los conduz frequentemente a avaliações excessivamente otimistas.

 

 

A localização continua a ser importante… mas já não basta

Durante décadas repetiu-se que os três fatores mais importantes no imobiliário eram, localização, localização e localização.

Continua a ser verdade que a localização é fundamental, mas atualmente a realidade é bastante mais complexa. Hoje, o sucesso de um investimento depende igualmente da sua capacidade de adaptação ao mercado, da eficiência operacional, da sustentabilidade e eficiência energética, da flexibilidade de utilização, da qualidade da gestão e da resiliência dos fluxos de caixa.

Dois edifícios localizados na mesma rua podem apresentar diferenças muito significativas no respetivo valor.

 

 

A avaliação imobiliária reduz a incerteza

Uma avaliação não elimina o risco, nem nenhuma avaliação consegue prever o futuro.

Mas uma boa avaliação permite compreender melhor as várias dimensões que impactam como valor e quando realizada segundo normas internacionais e suportada numa análise técnica rigorosa, a avaliação permite:

 

  • identificar riscos relevantes;
  • testar pressupostos;
  • analisar cenários alternativos;
  • estimar o impacto de diferentes variáveis;
  • suportar decisões de investimento mais informadas.

 

Mais do que indicar um valor, uma avaliação ajuda a responder à pergunta essencial.

Este investimento justifica o risco que estou a assumir?

 

 

Conclusão

No imobiliário, tal como em qualquer outra classe de ativos, as melhores decisões raramente resultam da intuição ou de uma análise superficial. Resultam da reflexão feita com dados e analises de fundamentadas.

Uma avaliação imobiliária rigorosa não serve apenas para estimar quanto vale um imóvel. Serve, também para apoiar decisões de investimento mais sólidas, mais conscientes e mais sustentáveis.

Num mercado cada vez mais exigente, a vantagem competitiva já não pertence apenas a quem compra primeiro, mas a quem compreende melhor o valor do ativo que está a adquirir.

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