Avaliação de Parque de Estacionamento

Avaliação de Parque de Estacionamento

 

O automóvel continua, para uma parte da população, a solução mais eficiente ou simplesmente a única disponível para determinadas deslocações diárias. Neste contexto, os parques de estacionamento permanecem um mal necessário para garantir o funcionamento das atividades e a acessibilidade às zonas urbanas. Embora muitas cidades europeias procurem reduzir a dependência do automóvel, o estacionamento continua a desempenhar um papel essencial no funcionamento urbano. Apesar dos investimentos em mobilidade sustentável, a realidade é que os sistemas de transportes públicos ainda não conseguem, em muitos casos, dar resposta integral às necessidades de deslocação das pessoas.

 

O Ativo Imobiliário

 

Talvez por isso, um parque de estacionamento (público) possa parecer um ativo imobiliário simples, ou seja, uma estrutura de betão organizada em lugares destinados ao estacionamento de veículos, com zonas de circulação sinalizadas e de acesso às viaturas. Contudo, quando analisado sob a perspetiva da avaliação imobiliária, este tipo de ativo revela uma natureza económica bastante mais complexa.

Na realidade, o valor de um parque de estacionamento raramente reside apenas na sua materialidade física. O verdadeiro motor de valor encontra-se na sua capacidade de gerar receitas ao longo do tempo, através de uma sucessão contínua de utilizações de curta duração e/ou avenças. A cada entrada de uma viatura, a cada hora de permanência, a cada avença mensal corresponde a um pequeno fluxo. Individualmente, esses valores podem parecer pouco relevantes, mas quando agregados ao longo do dia, do mês ou do ano, transformam-se num fluxo contínuo de receitas. É nesse “pinga-pinga” diário de micro-transações que sustenta a valorização deste tipo de ativos.

 

A Operação

 

Na avaliação imobiliária tradicional, a análise tende a começar pela dimensão física do ativo, área construída, localização, comparáveis de mercado ou custo de reposição. Contudo, nos parques de estacionamento autónomos, estas variáveis, embora relevantes, não explicam por si só o valor do ativo. Na prática, dois parques com características físicas semelhantes podem apresentar valores muito diferentes se os níveis de ocupação, a rotatividade dos lugares ou a política tarifária forem distintos.

Em termos simples, o valor não depende apenas do número de lugares disponíveis, mas sobretudo da capacidade do ativo de transformar esses lugares em receita recorrente. Esta realidade aproxima os parques de estacionamento de ativos operacionais ou infraestruturais, nos quais o valor resulta fundamentalmente da capacidade de gerar fluxos de caixa ao longo do tempo.

Um dos fatores que tem vindo a reforçar o interesse destes ativos é a crescente otimização da sua operação. A gestão de parques de estacionamento tem evoluído significativamente nos últimos anos, beneficiando da incorporação de tecnologias e softwares avançados de gestão da operação e processos. Sistemas automáticos de controlo de acessos, leitura de matrículas, plataformas digitais de pagamento, monitorização em tempo real da ocupação e ferramentas de pricing dinâmico permitem hoje gerir estes ativos com maior eficiência.

Esta evolução tecnológica tem dois efeitos diretos, por um lado, reduz custos operacionais, nomeadamente em termos de pessoal e controlo, por outro, permite otimizar a utilização dos lugares disponíveis e maximizar a receita por lugar. Em consequência, a exploração destes ativos torna-se progressivamente mais eficiente, transformando o estacionamento num negócio cada vez mais estruturado do ponto de vista operacional.

 

Um exemplo

 

Tomemos como exemplo um parque de estacionamento localizado numa zona central de Lisboa, próximo de um eixo comercial ou de um interface de transportes.

Imagine-se um cenário prudente de um parque com cerca de 200 lugares, com uma taxa média de ocupação diária próxima de 75%, combinando estacionamento de curta duração com avenças mensais diurnas e noturnas. Com uma tarifa média efetiva de 2€/hora e uma rotação significativa dos lugares disponíveis, a receita anual pode facilmente ultrapassar 1 milhão de euros, dependendo da intensidade da procura em cada época do ano e da localização. Com custos operacionais relativamente controlados, manutenção, energia, segurança, limpeza e sistemas de gestão a exploração deste tipo de ativo pode gerar fluxos de caixa relevantes e relativamente estáveis.

Neste contexto, aquilo que verdadeiramente sustenta o valor do ativo não é apenas a infraestrutura física em si, mas a capacidade de transformar o espaço disponível e o maximizar num fluxo contínuo de receitas ao longo do tempo.

 

A Avaliação

 

Perante esta realidade, as metodologias tradicionais de avaliação imobiliária revelam frequentemente limitações. A escassez de transações comparáveis e a forte dependência da dinâmica de exploração dificultam a aplicação exclusiva de abordagens baseadas na comparação de mercado ou na capitalização simplificada do rendimento.

Por essa razão, a avaliação de parques de estacionamento tende a beneficiar da aplicação de metodologias baseadas em discounted cash flow. Esta abordagem permite modelizar variáveis determinantes para o valor do ativo, como a evolução da ocupação, a estrutura tarifária, os custos operacionais, os investimentos em CAPEX com manutenção ou modernização e o valor residual do ativo. Ao projetar os fluxos de caixa futuros e atualizá-los a uma taxa de desconto, o modelo DCF permite captar com maior rigor a realidade operacional do ativo.

    Consinto a STRUCTURE VALUE a enviar-me ações de marketing, nos termos definidos na Política de Privacidade e direito à informação.